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INSTITUTO APPOA CONVIDA: Linha de trabalho "Psicanálise, Políticas Públicas e Saúde Mental" Dia: 16/07/11, sábado, às 10h, na sede da APPOA.



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Linha de trabalho
 "Psicanálise, Políticas Públicas e Saúde Mental" Convida:
 
A histerização do discurso na enfermaria psiquiátrica
Encontro com Luciane Loss Jardim
 
Data: 16/07
Horário: 10 horas
Local: APPOA
 
     A psicanálise através do ensino de Lacan mostra que qualquer prática profissional está inserida em um discurso, inclusive o ato médico, pois, por mais técnico que possa ser esse exercício, estará incluído no campo do simbólico. Este campo simbólico, chamado por Lacan de campo do grande Outro, é o ponto de partida no qual o autor elabora a teoria dos quatro discursos articulada no seminário O avesso da psicanálise. Essa teoria versa sobre a organização da linguagem específica das relações do sujeito com o significante e com o objeto que determina e regula as formas do vínculo social. A objetalização do sujeito no ato médico circunscreve o próprio campo de ação da medicina, método necessário para o médico poder operar, ou seja, exercer sua prática. O discurso do mestre é equivalente ao do sujeito cartesiano, o qual mantém o sujeito e o objeto a sob a barra, para mostrar que o sujeito do inconsciente não está no discurso manifesto. Na proposição cartesiana “penso, logo existo”, a existência do sujeito está assentada no pensamento, em um pensamento claro, com idéias bem categorizadas, independentes das paixões, sensações, dores, inclinações, satisfações e insatisfações. O pensamento filosófico cartesiano tem como princípios desfazer-se de todas as opiniões, crenças e impressões que não são capazes de fundamentar conhecimentos satisfatoriamente exatos. A posição do discurso médico, ou seja, de exclusão da subjetividade, portanto é uma questão epistemológica, trata-se da metodologia médica, tomar o orgão e não o sujeito. Lacan argumenta que o desenvolvimento científico inaugura e coloca em primeiro plano o direito do homem à saúde. A função médica é exercida na dimensão da demanda, diferente do trabalho do analista, que se ocupa da questão do desejo. Destaca que “Freud [...] inventou o que devia responder à subversão da posição do médico em função do avanço da ciência: a saber, a psicanálise como prática.”
      Desta forma, a psicanálise toma o sujeito como falante para poder fazer seu ato. A medicina vai tomar o sujeito como falante após o ato médico, pois, precisa, por uma questão própria a sua metodologia, objetalizar o sujeito tomando-o como organismo. Geralmente é após a sua intervenção que o médico volta a dar um nome para o sujeito. Entretanto, é preciso destacar que ter seu nome enunciado não é a mesma coisa que tomar o sujeito como falante, próprio ao trabalho psicanalítico. Na clínica psiquiátrica trata-se de prescrever as medicações e ajustar as doses. Será que os psicofármacos em algum momento vão constituir um sujeito?
     Nesta perspectiva, essa discussão que será desenvolvida por Lucine Loss Jardim apresenta, através de uma vinheta clínica, a emergência do discurso analítico em uma enfermaria psiquiátrica de um hospital geral, o qual fez circular os quatro discursos, possibilitando uma travessia de um discurso ao outro.

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